Análise: São Paulo

Por Hudson Martins

Jogo: Mogi Mirim 0 x 2 São Paulo
Romildo Ferreira, Mogi Mirim
Campeonato Paulista - 1ª Rodada - 16/01/2011

Após mais de um mês de paralisação, o melão voltou a rolar em campos brasileiros. Precedidos por uma pré-temporada irrisória, e muito maiores do que deveriam ser, os Estaduais pedem passagem sem piedade, iniciando uma maratona que empolga qualquer torcedor, e ainda é fantástica para os atletas, extremamente preparados para jogos às quartas e domingos logo no início do ano. Para o torcedor são-paulino, a temporada começou bem. A equipe de Paulo César Carpegiani visitou o Mogi Mirim, e venceu por 2 x 0, gols de Rogério Ceni e Marcelinho Paraíba.



Acima, o São Paulo que inicia a temporada 2011. No 4-4-2 ortodoxo, Carpegiani conseguiu força ofensiva pelos lados do campo, com Ilsinho e Juan. Carlinhos Paraíba foi importante para reter a posse de bola no setor intermediário, já que Fernandinho e Mazola não o fizeram. Na segunda etapa, manutenção do esquema tático, e boas surpresas, como a bela atuação de Jean como volante - se projetando ao ataque - e o gol de Marcelinho Paraíba, ainda em débito no tricolor paulista.

Leitura Tática

Com a posse de bola...

- Viu-se uma equipe extremamente lúcida na transição defesa/ataque. Sempre com passes curtos, o São Paulo conseguia envolver o Mogi, e fazia com que a bola chegasse com qualidade aos dois meias pelos lados do campo. A tarefa de abastecer os responsáveis pelo setor de criação foi muito bem feita em boa parte do jogo.

- Destaque para as subidas de Juan, que formava parceria com Carlinhos Paraíba no setor ofensivo. Com liberdade para ir ao ataque, o camisa 16 participou do lance do primeiro gol, e esteve presente na maioria das jogadas ofensivas do São Paulo. Embora tenha sido afobado em alguns momentos, Juan não se omitiu.

- Pela direita, Ilsinho foi absoluto. Mesmo não estando nas melhores condições físicas, e tímido no início do primeiro tempo, o agora meia do São Paulo foi preciso quando solicitado. Com limitado auxílio de Jean, o camisa 77 soube se virar bem frente a marcação adversária, com a habilidade que lhe é característica. Foi o melhor jogador em campo.

- Por outro lado, Mazola e Fernandinho tiveram problemas na partida de estreia. Jogadores verticais que são, ambos tropeçaram no desentrosamento, e na reincidente necessidade de jogar de costas para a marcação, função muito mais adequada a Fernandão, por exemplo (este preservado pela comissão técnica neste domingo). Além disso, ambos tiveram que enfrentar a defesa adversária praticamente sozinhos, em contra-ataques que ainda denotavam a falta de compactação ofensiva da equipe, facilmente explicada pelo início de temporada. Partida apenas razoável dos dois.

Sem a posse de bola...

- O São Paulo mostrou a característica solidez defensiva. Em pouquíssimas oportunidades, os jogadores de ataque do Mogi Mirim invadiram a área tricolor em condições de finalização, sendo obriados a recorrer aos chutes de média/longa distância. Alex Silva e Miranda demonstraram muita segurança.

- Em nenhum momento houve marcação sob pressão. As tentativas de desarme se intensificavam apenas a partir do meio-campo, quando a superpovoada intermediária tricolor tratava de inibir as subidas da equipe de Antonio Carlos Zago. Aqui fica a necessidade de maior observação, dado o início de temporada, e a dificuldade em adiantar a marcação com frequência, visto que a condição física dos jogadores ainda é razoável.

- Vale citar ainda o posicionamento de Ilsinho e Carlinhos Paraíba, acompanhando, na medida do possível, as subidas dos laterais adversários. Importante ressaltar aqui a necessidade de análise mais intensa do desempenho de Juan e Carlinhos na marcação durante a temporada. Ambos sobem ao ataque com intensidade, deixando espaços no setor defensivo, e, além disso, não são exímios marcadores, pelo contrário.

Palavras Táticas

"O Juan é um jogador de qualidade no apoio. Sabíamos disso quando o contratamos. Cabe a mim dar condições para que ele saia e possa usar o seu potencial. O Rodrigo Souto fez o complemento por trás, dando liberdade para o Juan sair com mais tranquilidade."*

Paulo César Carpegiani, técnico do São Paulo, sobre o potencial ofensivo de Juan. Será Rodrigo Souto capaz de cobrir eventuais espaços deixados por dois dos seus companheiros?

*Fragmento retirado do site www.globoesporte.com

3 comentários:

  1. Vitor Hugo Martins17 de janeiro de 2011 09:28

    Perfeita análise.

    São Paulo tem um time muito coeso da defesa ao ataque. Quando o Fernandão jogar, abrirá mais espaço para os meias e laterais apoiarem.

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  2. Muito bem observado, Vitor. A entrada de Fernandão pode ser importante para reforçar o setor de criação pelo centro, uma das dificuldades encontradas pelo SPO neste domingo. Entretanto, é importante que haja consenso entre jogador e técnico (Fernandão declarou há pouco tempo que prefere jogar mais adiantado), além de maior regularidade por parte do próprio Fernandão. De qualquer maneira, é uma opção interessante, sem dúvida.

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  3. muito PHOOOODAAAA mesmo, xou!!!

    porra não fui First!!!

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